Altas comissões em plataformas de e-commerce reduzem lucros: micro e pequenas empresas brasileiras aceleram a migração para canais próprios.

Para muitas pequenas e microempresas no Brasil, ter um fornecimento constante de mercadorias para venda e um fluxo contínuo de remessas não se traduz necessariamente em aumento de lucros. Essa realidade as está levando a repensar suas operações em plataformas de e-commerce (marketplaces). Como as comissões das plataformas podem chegar a 20% das vendas e, em alguns casos, diversos custos podem representar até 40% das vendas, cada vez mais pequenos varejistas estão optando por seus próprios canais de venda, na esperança de aumentar seus lucros e ter maior autonomia na conexão com os clientes.

Embora o setor de comércio eletrônico no Brasil esteja em constante crescimento — a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm) prevê que o volume total de transações online no país atingirá aproximadamente 259 bilhões de reais até 2026 —, esse crescimento não se traduziu em um aumento correspondente nos lucros para algumas micro e pequenas empresas.

As taxas de comissão das principais plataformas de comércio eletrônico variam de acordo com a categoria do produto e o tipo de anúncio, mas seu impacto vai muito além disso. Quando somados os custos de logística, subsídios de frete, taxas de pagamento antecipado e gastos com publicidade, o custo total pode chegar a 30% a 40% do preço de venda do produto e, em alguns casos, até ultrapassar essa porcentagem. As taxas de comissão das principais plataformas de comércio eletrônico variam de acordo com o tipo de produto e o formato do anúncio, mas esses não representam a totalidade do custo. Se somarmos as taxas de logística, subsídios de frete, taxas de pagamento antecipado e investimento em publicidade na plataforma, todos esses custos podem representar de 30% a 40% do preço de venda do produto, e às vezes até mesmo ultrapassar essa porcentagem.

Essa situação está, na verdade, comprimindo as margens de lucro das micro e pequenas empresas. Se adicionarmos as devoluções, as atividades promocionais e outros custos operacionais, a rentabilidade desses negócios pode diminuir ainda mais. “Por muito tempo, as plataformas de e-commerce foram o principal ponto de entrada para a transformação digital das micro e pequenas empresas. Mas agora, muitos varejistas percebem que quanto mais vendem, menos ganham”, disse Mariana Torres, diretora da Torres Consultoria.

Os canais próprios tornam-se essenciais para romper o impasse; as micro e pequenas empresas ajustam suas estratégias de vendas.

Foi precisamente essa situação do setor que levou Roberta Pitta Machado, fundadora e empreendedora da marca Casulo de Anjo, a reajustar sua estratégia de vendas nos últimos anos. A empresa, especializada no desenvolvimento de sacos de dormir para bebês e crianças, prioriza a segurança e o conforto durante o sono, oferecendo também uma gama de produtos complementares, e celebrará seu 10º aniversário em 2026.

Roberta começou utilizando plataformas de e-commerce para produtos artesanais (como a Elo7), que serviram como um trampolim crucial para sua transformação digital. “Inicialmente, essas plataformas eram de fato uma boa escolha — fáceis de usar, não exigiam conhecimento profundo e permitiam cadastrar produtos e começar a vender em poucas horas”, recorda.

Contudo, à medida que o negócio crescia, Roberta foi descobrindo gradualmente as desvantagens desse modelo. “Eu estava constantemente direcionando o tráfego dos meus clientes do Instagram para plataformas de e-commerce simplesmente porque não tinha um canal de vendas próprio. Ao mesmo tempo, pagava comissões às plataformas por essas transações que poderiam ter sido feitas diretamente”, admite.

Iteração da estratégia: Utilizando principalmente canais próprios, com as plataformas servindo apenas como um complemento para a aquisição de clientes.

Hoje, as plataformas de e-commerce representam aproximadamente 15% da receita da Anjoy, e a lógica operacional mudou fundamentalmente. “Os custos das plataformas continuam altos, com taxas de comissão entre 18% e 25%, e, somados ao investimento em tráfego, a pressão sobre os custos é particularmente acentuada. Portanto, definimos preços e margens de lucro diferentes para esses canais, levando em consideração todos os custos antecipadamente”, explicou Roberta.

Na visão dela, a estratégia central atual é muito clara: priorizar o desenvolvimento de nossos próprios canais. “Agora, todos os nossos esforços de marketing estão focados em nosso site oficial, que é nosso principal canal de vendas.” Em relação às plataformas de e-commerce, Roberta afirmou que a empresa adotará uma estratégia mais seletiva: “Utilizamos essas plataformas principalmente como canais de aquisição de clientes — atraindo consumidores que optam por comprar na plataforma pela conveniência e, em seguida, tentando convertê-los em clientes fiéis à marca.”

A criação de seu próprio site de e-commerce tornou-se um ponto de virada fundamental no desenvolvimento da Anjoy. “Este é o principal motor do crescimento do nosso negócio. Em nosso site oficial, podemos exibir plenamente as características da nossa marca, realizar atividades promocionais, construir conexões profundas com os clientes e utilizar nosso sistema de Gestão de Relacionamento com o Cliente (CRM) e programas de fidelidade — isso representa um nível de controle totalmente novo”, enfatizou Roberta.

Atualmente, cerca de 80% das vendas da empresa de sacos de dormir para bebês provêm de seus próprios canais. Na visão de Roberta, esses canais são o principal ativo da empresa e uma área-chave para investimentos futuros e expansão contínua. Além disso, a empresa ajusta seu mix de produtos de acordo com os diferentes canais: “Em plataformas de e-commerce, vendemos principalmente produtos básicos; itens individuais mais diferenciados são vendidos exclusivamente em nosso site oficial.”

O aumento da concorrência e os custos elevados destacam as preocupações com a dependência de plataformas.

A transformação dos canais de venda das micro e pequenas empresas ocorre em um contexto de amadurecimento do setor de e-commerce no Brasil. Atualmente, embora o setor continue a se expandir, seu ritmo de crescimento desacelerou em comparação com anos anteriores, intensificando ainda mais a concorrência no mercado. Estima-se que, até 2026, o volume de pedidos online no Brasil possa atingir aproximadamente 460 milhões de pedidos, com um valor médio por pedido entre 500 e 600 reais.

Enquanto isso, as plataformas de e-commerce dominam as vendas digitais. Relatórios internacionais mostram que essas plataformas já representam cerca de 87% do e-commerce global, aumentando ainda mais seu poder de barganha com os varejistas. “O ambiente atual do e-commerce é altamente competitivo e orientado por preços. Exibir produtos similares lado a lado reduz as margens de lucro e favorece os comerciantes com economias de escala”, analisou o especialista em varejo Rafael Cortez.

A enorme influência das plataformas também se reflete em sua grande base de comerciantes. Tomemos o Shopee como exemplo. Essa plataforma reúne mais de 3 milhões de varejistas brasileiros, a grande maioria micro e pequenas empresas, que contribuem com aproximadamente 90% das vendas da plataforma. O Mercado Livre, por outro lado, possui milhões de comerciantes em toda a América Latina e uma grande base de usuários corporativos no Brasil, intensificando a concorrência dentro dessas plataformas.

Para se destacar nos resultados de busca da plataforma, muitos comerciantes são forçados a investir em publicidade paga. “Na prática, isso faz com que as plataformas de e-commerce funcionem tanto como canais de venda quanto como canais de mídia. Os comerciantes não só precisam pagar comissões para gerar vendas, como agora também precisam pagar a mais pela visibilidade”, acrescentou Mariana.

Esse modelo eleva diretamente o Custo de Aquisição de Clientes (CAC) dos comerciantes e, dentro da plataforma, esse custo apresenta uma tendência contínua de alta. Embora o custo inicial de aquisição de clientes possa ser relativamente alto por meio de canais proprietários fora da plataforma, espera-se que esse custo diminua gradualmente à medida que a fidelização e as taxas de recompra dos clientes aumentem.

Além da pressão financeira, especialistas também apontam que a dependência excessiva das plataformas pode levar os comerciantes a perderem o controle sobre o relacionamento com os clientes — os dados dos clientes e os canais de comunicação ficam concentrados nas mãos da plataforma. “As empresas não conseguem construir sua própria base de clientes; os consumidores se lembram da plataforma, não da marca em si. Essa dependência está levando alguns empreendedores a reajustar suas estratégias de negócios”, afirmou Cortés com franqueza.

O modelo multicanal torna-se uma tendência; micro e pequenas empresas buscam desenvolvimento diversificado.

A tendência de diversificação de canais já se reflete nos dados do setor. Segundo plataformas próprias de e-commerce, como a Nuvemshop, elas contam atualmente com mais de 180 mil lojistas ativos e um volume de transações anual que chega a bilhões de dólares, o que reflete o rápido desenvolvimento do modelo direto ao consumidor (D2C).

Pesquisas recentes também confirmam essa tendência. De acordo com a Rota do E-commerce, realizada em parceria pela Loggi e Opinion Box, 64% das micro e pequenas empresas brasileiras utilizam as redes sociais como principal canal de vendas, com Instagram, WhatsApp, Facebook e TikTok apresentando um desempenho particularmente bom. Entre os lojistas entrevistados, 60% citaram o “amplo alcance de público” como o principal motivo para a escolha das redes sociais.

A pesquisa também revelou que os modelos de negócios das micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) brasileiras estão se tornando cada vez mais diversificados: 39% das empresas vendem por meio de seus próprios sites, 36% possuem lojas físicas ou franquias e 27% utilizam plataformas e aplicativos de e-commerce.

Especialistas acreditam que uma abordagem multicanal — combinando plataformas de vendas, mídias sociais e lojas próprias — permite que as empresas controlem melhor as margens de lucro e aprofundem o relacionamento com os clientes. “As plataformas de e-commerce ainda têm um valor significativo, principalmente para impulsionar as vendas e atrair novos clientes. No entanto, depender exclusivamente delas como canal de vendas pode levar a margens de lucro muito baixas”, concluiu Mariana.

Read More:

Grandes mudanças no varejo brasileiro em 2026: feriados prolongados, Copa do Mundo e eleições se chocam – quem dará a última risada?

Tenho uma loja de ferragens no Mercado Libre, cujos produtos incluem ferramentas, carrinhos de ferramentas, armários de ferramentas, etc. Como devo administrá-la bem?

Mercado Libre Brasil: Análise do Relatório de Vendas da Categoria Armário de Ferramentas / Carrinho de Ferramentas

Mercado Libre Argentina: Análisis del rendimiento de ventas de carros de herramientas /armarios de herramientas

Mercado Libre Chile: Análisis del rendimiento de ventas de carros de herramientas /armarios de herramientas

Mercado Libre Colombia: Análisis del rendimiento de ventas de carros de herramientas /armarios de herramientas

Mercado Libre Perú: Análisis del rendimiento de ventas de carros de herramientas /armarios de herramientas

Mercado Libre México: Análisis del rendimiento de ventas de carros de herramientas /armarios de herramientas

Mercado Libre Uruguay: Gabinete De Herramientas/ Carro Porta Herramientas / Caja De Herramientas

What is our comprehensive quality inspection process? – Tool cabinet/tool ​​cart

How do we handle customer complaints (quality issues) – tool cabinet/tool ​​cart?

As a foreign importer, what costs do you have to bear, especially the implicit costs?

Cost Reduction And Efficiency Improvement In Company Operations

A and B jointly started a company and built a high-price market system. Now, A and B have a dispute, A leaves the company, and has built a low-price system on his own. How should B respond?

In a market characterized by homogeneous competition, how can a company (in the tool cabinet/tool ​​cart industry) build its own competitive advantage?

Tool Cabinet / Tool Cart Buying Guide For Auto Repair Shop

Case Study on Supply Chain Cost Reduction and Efficiency Improvement

How to Reduce Procurement Costs and Mitigate Supply Chain Risks in the Face of Increased Global Uncertainty?

Customer question: Why is there such a big price difference for the same tool cabinet?

Tool Cabinet/Chest/Box Buying Guide

Tool Cabinet/Chest/Box Recommendations

How to identify your target customer base (in the tool cabinet industry)?

Shopping Cart

inquiry